Dúvidas Frequentes

1. O que é ATM?

A sigla ATM significa Articulação Temporomandibular, que é a estrutura responsável pelos movimentos da boca. Está localizada na região lateral da face onde ocorre o encaixe da cabeça da mandíbula com o osso temporal.

2. O que é DTM?

Disfunção Temporomandibular é uma expressão coletiva que engloba distúrbios que envolvem os músculos mastigatórios, a ATM e estruturas associadas. Estudos epidemiológicos estimam que 40 a 70% da população apresentem ao menos um sinal de DTM, como ruídos na ATM, e 33% pelo menos um sintoma, como dor na face ou na ATM. A prevalência de necessidade de tratamento para DTM na população adulta foi estimada em 15,6% e sabe-se que esta necessidade vem aumentando.

3. Quais são os sinais e sintomas?

Os sintomas mais freqüentes relatados pelos pacientes são dores na face, na ATM, nos músculos mastigatórios, dores na cabeça e orelha. Há também manifestações otológicas como zumbido, plenitude auricular e vertigem. Os sinais são sensibilidade muscular e da ATM à palpação, limitação e/ou incoordenação dos movimentos mandibulares e ruídos articulares.

4. Que hábitos podem prejudicar a ATM?

Hábitos parafuncionais como apertamento ou ranger dos dentes prejudicam a ATM. Além desses, mascar chiclete, bocejar com muita amplitude, morder objetos, apoiar o mento, postura ruim ao dormir também trazem danos.

5. Os sinais e sintomas d a DTM também podem ser observados na infância?

Sim, embora a prevalência seja menor do que em adultos. O bruxismo doloroso ocorre em 2,6% das crianças e a dor decorrente da DTM ocorre em 7% a 17% delas. O importante é fazer uma avaliação precocemente para um melhor prognóstico.

6. Quais são as causas da DTM?

Esta patologia é multifatorial, ou seja, apresenta várias causas. As mais relevantes são: trauma; microtrauma (bruxismo, apertamento dental, roedura de unha ou objetos); doenças degenerativas (reumatológicas, neoplásicas, metabólicas); fatores genéticos, fatores locais (estresse oxidativo, alteração do líquido sinovial, etc.) e fatores psicossociais (ansiedade e depressão).

7. Como é realizado o diagnóstico de DTM?

A DTM muitas vezes passa desapercebida pela maioria dos profissionais da área de saúde. Isto se deve, principalmente, ao fato de não existirem exames complementares que apontem a disfunção de forma conclusiva. O ideal é que o diagnóstico seja feito por um especialista em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial (DTM e DOF) através de anamnese e exame físico, sempre que o indivíduo apresentar algum dos sinais ou sintomas citados anteriormente.

8. Por que minha articulação estala?

Existem vários motivos: deslocamento do disco articular, degeneração articular, hipermobilidade, alteração na viscosidade do líquido sinovial.

9. Há necessidade de tratamento quando há somente estalos sem sintomas dolorosos associados?

Depende do tipo de estalo e do funcionamento da articulação. É indispensável, portanto, a avaliação e orientação por especialista em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial (DTM e DOF).

10. Qual o profissional que deve procurar?

A avaliação e o tratamento sempre deverão ser feitos por um especialista nesta área e havendo necessidade de outra especialidade para complementar a terapia o paciente será devidamente orientado.

11. A DTM tem cura?

A DTM é uma doença crônica, porém não falamos em cura e sim em controle. O objetivo do tratamento é reduzir ao máximo os incômodos provocados pelos sinais e sintomas da Disfunção e amenizar os danos que esta patologia pode causar.

12. O tratamento de DTM pode favorecer os pacientes com dor de cabeça ou dor cervical?

Sim. Aproximadamente 86% dos pacientes com Disfunção apresentam cefaleia crônica e 82% dor cervical. Mais de 90% dos pacientes que se submete ao protocolo correto de tratamento tem melhora expressiva destes sintomas. Não se admite mais o tratamento de dor de cabeça ou dor cervical sem a participação do especialista em DTM e Dor Orofacial na equipe.

13. O tratamento de DTM pode favorecer os pacientes com zumbido?

Sim. O percentual de resultados positivos é menor que no caso da cefaleia ou dor cervical, porém existe e justifica a intervenção.

14. Como é o tratamento desta patologia?

O tratamento tem sido cada vez mais eficaz e seguro. As terapias utilizadas devem ser não invasivas e reversíveis e têm como objetivo controlar a dor, recuperar a função do aparelho mastigatório, reeducar o paciente e amenizar cargas adversas que perpetuam o problema.O protocolo de tratamento inclui na maioria dos casos a educação do paciente, automanejo, placas interoclusais, utilização de fármacos, terapias físicas, treinamento postural e exercícios.

15. A terapia oclusal (ajuste, ortopedia/ortodôntica, reabilitação oral, cirurgia ortognática. é necessária para um bom resultado de tratamento?

Não. A Odontologia Baseada em Evidência Científica (OBE) não inclui a utilização destas técnicas no protocolo do tratamento da ATM. Esta conclusão provocou a criação pelo Conselho Federal de Odontologia de uma especialidade dedicada a esta patologia.

16. Há necessidade de realizar cirurgia na ATM?

Alguns casos isolados necessitam de intervenção cirúrgica. Quanto antes o paciente procurar auxílio, menos será o risco de ele necessitar deste tipo de terapia.

17. Quais são as conseqüências de bruxismo?

O bruxismo é um dos maiores responsáveis pela destruição do aparelho mastigatório, podem causar danos em várias estruturas. Pode provocar desgaste e fratura dental, retração gengival, alteração na ATM, hiperatividade muscular, dor de cabeça, tontura, zumbido, danos e restaurações.

18. O hábito do bruxismo pode ser eliminado com placa?

Não. Entretanto a placa pode eliminar ou minimizar os danos que ele provoca. Nenhum recurso, até o momento, é capaz de interromper este hábito. O paciente que tem bruxismo deve ser acompanhado continuamente para garantir a longevidade do seu aparelho mastigatório.

*Os dados apresentados nesse documento estão publicados em:
Leeuw R. Dor Orofacial: guia de avaliação, diganóstico e tratamento. 4a Ed. São Paulo: Quintessence; 2010.
Carrara S, Conti P, Barbosa J. Termo do I Consenso em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacil. Dental Press Journal of Orthodontics. 2010 Jul; 15(3): 117-123.

TOPO